"desejando o inevitavel"
Não mais quero pertencer a isso
ir embora, sem destino
saber, ao menos, que não ficarei no mesmo lugar
tira minha alma
põe em outro corpo que a mereça
separa minha mente
coloque-a longe daqui
não quero ver com esses olhos
arranca-o de mim e arremesse para longe
não mais direi palavras infames
que minha lingua queime
vire po, cinzas
sem chances de se movimentar
palavras nunca mais ditas
palavras distorcidas
pensamentos soltos sem nexo
sem fundamento
que meus dedos caiam
para nunca mais tocar algo
nunca mais sentir o desejado
para, assim, ficar mais facil
não desejar o ja tocado
não mais quero andar
nunca vou a lugares bons
minhas pernas não me merecem
minha alma não merece minhas pernas
quero ve-las atrofiadas
para nunca mais me jogar do abismo
para nunca mais entender o que é a liberdade
chega de movimento
chega de som
quero apenas ouvir o conveniente
que se fodam as palavras certas
eu quero a minha verdade
o meu falso silencio
não tenho motivos para ouvir o externo
que se fodam as pessoas
que se foda minha ideologia
quero minha mente podre
devolve minha alma cinza
agora gritarei como nunca
quero ouvir tudo
sem prestar atenção em nada
ver os minimos detalhes
mesmo sem entender
tocar, sentir fechar meus olhos
mesmo assim consiguirei enxergar
enxergarei alem do material
quero tocar o abstrato
quero tudo
mesmo que não signifique nada
mesmo que seja por segundos
quero a vida
mesmo que seja passageira
mesmo que seja em vão
